Review Jensen C12N (parte 2)

Publicado por Guilherme Farias em

Salve galera! Hoje, na segunda parte da análise desse clássico auto-falante vamos destrinchar tudo, e entender de perto como a partir de um gráfico de pressão sonora vs frequência, retirar informações úteis para avaliar se o projeto de auto-falante é válido para fechar o seu setup ou não.

Como funciona o teste de um auto-falante?

Está ai a primeira pergunta que nós devemos responder!
Antes mesmo de entrar no mérito de efetivamente analisar gráficos e dar pitacos sobre qualquer auto-falante.

O negócio funciona resumidamente da seguinte maneira:

  • Descole uma câmera anecoica. (mas gui, eu não faço ideia do que seria uma câmera anecoica…)

https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2mara_anecoica

  • Pendure o seu auto falante apenas pela área parafusável (deixando ele empurrar ar livremente, como se fosse uma grande caixa no estilo open back).
  • Mire um microfone (desenhado para ter resposta flat), a exatamente 1m do centro do cone e faça passar pelo auto-falante um sweep de frequências de 20Hz à 20KHz. Conforme a figura a seguir (retirada do próprio site da Jensen).
Exemplo de uma câmera anecoica (imagem retirada do site da Jensen). 

Tudo isso para você entender o quão puro é a captação desses sinais, e o quão interessante pode ser, a boa leitura e interpretação de um datasheet.

Beleza, mas o que eu quero efetivamente é entender como olhar gráficos e avaliar se o falante bate mais ou menos com o que eu preciso como timbre, correto?
E como um gráfico pode me ajudar com isso?
Nos gráficos clássicos você vai encontrar duas curvas e 3 parâmetros (isso mesmo que você leu, mas calma que eu vou explicar tudo).

A curva mais representativa para nós é a de sound pressure (eixo y) vs frequência (eixo x). 
O terceiro eixo (que eu não vou me aprofundar hoje, é um segundo eixo y representando a impedância do auto-falante).
Mas vamos ao que realmente importa: Aprender como retirar informações úteis de um gráfico de sound pressure vs frequência.

E ai entra a primeira questão: O que significa sound pressure?

Pergunta importante heim time! 
Se liga só, sound pressure, usualmente é associado fisicamente a termos como energia do som, ou potência de som… e isso, meus queridos, está completamente errado!
Sound pressure é uma medida de capacidade de propagação do som, tendo assim, parâmetros como potência de emissão, e por consequência deriva de fatores como absorção e reflexão e difusão do meio.
A medida utilizada para quantificar a tal sound pressure é bem conhecida pelo público em geral: decibeis ou dB.

Sabendo-se então o que significa sound pressure, cruzamos esse dado com o eixo de frequência e teremos uma curva que nos mostra quais são os pacotes de frequência que o auto-falante ameniza, e quais ele enaltece.

Curva de sound pressure por frequência fornecido no datasheet do C12N.

https://www.jensentone.com/vintage-ceramic/c12n

Reparem em alguns detalhes do gráfico acima… iniciando com as escalas tanto do eixo x quanto o do y (ambas estão em logaritmo).
Tomem muito cuidado com esse tipo de escala, porque em log não temos o valor exato e sim, um aproximado entre os números inteiros.

  • Para fins didáticos, me dei ao luxo de fazer algumas linhas de destaque para apresentar alguns pontos interessantes de análise.
  • O primeiro ponto é: a pressão sonora só alcança o seu valor médio ali próximo dos 90Hz, o que é bem normal já que ali moram alguns dos primeiros graves mais efetivos para uma guitarra.
  • Logo mais, no primeiro corte vertical (em vermelho) temos a primeira queda em pressão sonora. Isso começa ali na casa dos 100Hz ~ 300Hz e se estende até 400Hz (o que já pode ser considerado um range de médios-graves).

  Com essa info você pode gerar um pitaco: Os graves são ok, e ele anda com cerca de -5dB nos médio-graves (o projeto privilegia os graves mais densos, mais decorrentes em baixos, e tira o pé em graves muito efetivos nas guitarras que são os médios-graves).

Isso justifica os graves “frouxos” descritos no site.

  • A partir dos 400Hz a curva volta a subir e vai até um pouco além dos 1000Hz, devolvendo a pressão sonora para a faixa dos +100dB e mostrando a presença dos médios desse falante. 

  Aqui vem o segundo pitaco: A devolução de pressão nos médios garante a força do falante em garantir um timbre vintage (cheio de médios com boa pressão sonora).

  • A seguir temos uma montanha russa com uma queda abrupta em algo entre 1K e 2K e depois um boost de pressão em 2KHz, que segue alto até estabilizar lá para 5Khz.

  Aqui vem o pitaco final: Esse falante entra firme nos médios-agudos e agudos para garantir bastante inteligibilidade e firmeza nesses pacotes de frequência.  O que é basicamente o grande ponto forte em questão de timbre nesse projeto, a tal definição dos médio-agudos e agudos.

Lembrando que, a sensibilidade auditiva humana é bem alta nas regiões médias-aguda e aguda, então esse projeto tem uma projeção enaltecida exatamente nessa região sensível

O que garante muita da inteligibilidade do projeto!

A partir de 5Khz, as frequências já não são tão interessantes para uma guitarra, então pode-se ver uma queda crescente de pressão sonora.
De 5Khz para cima já entra numa região de limiar tanto para o auto-falante, quanto para o próprio setup.

Conclusões

A avaliação da curva de pressão de um auto-falante pelo seu datasheet serve para que criemos alguns preceitos sobre o projeto, mas não necessariamente explica o timbre na sua plenitude, tanto porque isso vem de outros fatores técnicos da construção do mesmo.

Lembrem-se, o maior juiz sempre será o seu ouvido!

Mas, saber o que significa uma curva de pressão e como interpreta-la para te ajudar na escolha do seu auto-falante é uma ferramenta bem prática para fazer a compra ideal, ou já chegar na loja com os meninos certos para o teste.

Para o próximo texto, vamos entrar na linha do tempo dos auto-falantes, e conhecer de perto um dos projetos mais antigos da Jensen.

O Famoso P12R.

Se interessou pelo auto-falante? Adquira-o pelo site da Mult Comercial:

https://www.multcomercial.com.br/catalogsearch/result/?q=C12N

Categorias: Demonstração

Guilherme Farias

Quem sou eu: Guilherme Farias, engenheiro elétrico, audiófilo e desenvolvedor de projetos na Ions Amplifiers e Mr Cut Custom Handmades.

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